sábado, 12 de março de 2011

Por que é tão difícil prever terremotos?

Posted by Força Jovem Maranguape On 07:56 No comments

Apesar de o homem conhecer muita coisa sobre o espaço, ele ainda é leigo com relação ao planeta em que vive, diz especialista

Por Carlos Gutemberg



O planeta Terra é como se fosse um grande quebra-cabeça, dividido em 12 peças. São blocos que estão em contato uns com os outros constantemente, formados por continente e oceano. A placa sulamericana, por exemplo, compreende o território brasileiro e parte do Oceano Atlântico. “Essas 12 placas deslizam em cima de uma camada plástica no interior da Terra, chamada de astenosfera, que está em alta temperatura. Como elas não têm como se deslocar, ocorrem três movimentos básicos: em alguns lugares elas estão se chocando; em outros, se afastando; e, em alguns casos, elas raspam umas nas outras”, explica Jorge Luiz Vasconcelos, geofísico e especialista na área de sismologia e pesquisador do Observatório Nacional, do Rio de Janeiro.


A placa euro-asiática, onde o Japão está localizado, costuma se chocar com a placa do Pacífico. Nessa região, os terremotos são frequentes. Já a placa sulamericana, está se afastando da africana, a uma velocidade de 4 centímetros por ano, em direção ao oeste. Há 130 milhões de anos, o Brasil estava colado na África. O modelo geográfico hoje é resultado desses movimentos. Segundo Vasconcelos, o movimento entre as placas sulamericana e africana provoca atividades sísmicas no meio do Oceano Atlântico, de magnitude moderada. De vez em quando acontece algum abalo mais forte.


“São muitas variações, por isso é difícil prever esses movimentos. Além disso, o homem ainda não conhece com precisão a parte interna da Terra. O ser humano ainda está analisando essa estrutura. Nós já conhecemos muito sobre o espaço, mas ainda somos leigos com relação a muitas coisas do planeta em que vivemos. Há lugares, como as regiões das fossas oceânicas ou abissais, tão profundos, que ninguém nunca teve acesso”, afirma o geofísico.


Na opinião dele, além das restrições tecnológicas, há um pouco de desinteresse do próprio homem em conhecer mais sobre o lugar em que habita. Ele lamenta que a sismologia só passou a se desenvolver no planeta por interesses militares, depois que descobriram que ela poderia ser usada para monitorar bombas nucleares.


“A tecnologia digital tem ajudado, transmitindo dados por satélite, em tempo real. Com isso, temos computadores monitorando e calculando onde os tremores ocorrem. Claro que existem limitações que impedem um avanço na prevenção de terremotos. Para fazer predições, seria preciso detalhar os movimentos dessas placas de forma minuciosa, avaliando o acúmulo de forças de cada uma delas. Em algum momento deve existir um processo físico ou químico que faz com que essa energia, que provoca os terremotos, seja liberada. No entanto, isso deve ocorrer em profundidades a que o homem ainda não tem acesso”, atesta o especialista.

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